Porrinho, Ponte-Vedra… Quem demite?

O imputado alcaide do Porrinho, Nelson Santos, confia-se a Deus. Ele chegara ao poder mediante uma moção de censura na que o Partido Popular foi capaz de perdoar quem anos atrás marchara da casa do Pai para foçar com nacionalistas e socialistas. Este bom cristão não considera imoral nem pedra de escândalo o facto de ter graves imputações junto com outras 8 pessoas do PP e próximas. Tampouco o seu partido correligionário parece considerá-lo um assunto de importância. Mais importante é que este bom pastor leva as almas polo bom caminho o dia das eleições, polo que deve ser recompensado com o cento por um nesta vida, que para os políticos profissionais é eterna.
E é que o Prêmio eterno que recebem aqueles que perseveram na política profissional é uma boa razão para não abandonar nunca o poder. A vereadora de Ponte-Vedra Maria Bienpija, é outra divina pastora que também deixou a casa do Pai por não ser bem compreendida. A sua ex-irmã na fé Rocio de Sinde confia em que volte aginha. Entretanto a díscola vereadora continua a receber alto salário, dietas e pluses que são incrementados por formar um grupo novo e uni-pessoal.
A Casa do Pai e as demais Igrejas, que sempre puderam evitar os cismas com o medo às trevas exteriores vêm como o exemplo de Carminha ex-AGE no Parlamento galego se propaga, e o dia da apocalipse se aproxima. Já não são só os profetas quem anunciam a fim do Estado e a política profissional. A própria merda que têm estes pode antecipar o seu fim. Que Deus nos colha confessados.

Espanha tem um problema

Com a sociedade tradicional galega em vias de liquidação os referentes éticos e práticos para criar famílias mudaram completamente.Isto faz que como anuncia com grande alarma La Voz de su Amo, hoje, “Sólo un país en el mundo habla gallego”. Ah, desculpem o lapsus. O titular é “Sólo un país en el mundo tiene una media de edad superior a la gallega”. Esse país não está no denominado “terceiro mundo” como poderiam imaginar. Ao contrário: tráta-se do Pincipado de Mónaco. O país com maior Renda Per Cápita do mundo e o segundo em Índice de Desenvolvimento Humano. Como acontece com todas as notícias manipuladas, estas acabam por voltar contra o manipulador. Qué problema tem Galiza com a meia de idade? Ningúm. Quem tem o problema? O Estado Espanhol.
O problema será do Estado que terá que pagar as pensões dos idosos galegos sem que tenha mão de obra para a sua economia capitalista. Os que daquela seremos velhinhos e velhinhas estaremos encantados de que Espanha nos devolva o que nos expoliou com impostos. E se não tem (que é o mais provável) estaremos encantados de manda-la a pentear macacos, que já nos organizaremos sem ela.
Para La Voz (e também para quem sonham com um Estadinho galego) será um sufrimento inaceitável ver que nas estatísiticas oficiais Galiza recebe mais do que dá. Mas não devem sofrer tanto: as estatísticas podem manipular-se como de facto acontece agora mesmo, dando Galiza mais do que recebe ainda que a verdade oficial seja outra. Que lhe importa a você que a sua pensão a paguem galegos e galegas nados ou adotados que moram aqui, ou que a paquem galegos e galegas que emigraram? E ainda: quantos poderão cobrar pensão? porque a idade de incorporação ao mercado laboral é cada vez mais tardia, e não chega para o mínimo de cotização. E mais ainda: se ficassemos todos e todas aqui e fizessemos um país que contribuisse muito ao PIB “nacional” daria igual. Na Espanha existe isso que se chama “solidariedade obrigatória”: que lho perguntem aos catalães e bascos: sim a esses que querem o seu Estado para deixar de pagar os pobretões estremenos e galegos (nós não somos deficitários, mas eles não sabem) e que se apresentam coaligados às europeias com “nacionalistas galegos”.
Tanto dá. A realidade é que em quarenta anos todos os Estados actuais e futuros estarão na falência. O casino financeiro hiper-inflacionista da economia mundial rebentará, e essa economia e comércio basados no consumo de fontes energias e recursos finitos desaparecerá. Nesse momento tanto dará que sejamos mais velhos: os nossos “maiores” sempre foram bem fortes, nomeadamente as mulheres. Apartir daquela sim que poderemos ter uma economia sustentável e famílias sustentáveis também.

O Bairro do Cura. O primeiro fruto do matrimônio municipal

O Senhor abençoou este Domingo de Páscoa ao matrimônio PP-PSOE de Vigo com o primeiro dos muitos frutos que virão. A Junta acaba de dar luz verde à demolição de prédios históricos do Bairro do Cura, entre eles o Asilo, cuja fachada será colocada como um dos muitos pastiches da cidade, mas desta volta bem longe, que é preciso borrar da memória o facto de que houve um dia que idosos desamparados foram ali atendidos.
Junto à fachada irão detrás os moradores que ainda ficam alá. Não tenham dúvida de que o Senhor Alcaide lhes há procurar um acomodo num lugar bem em correspondência com a sua baixa categoria social. Que o Bairro do Cura ficou convertido em centro “não histórico” e ali apenas gente com alto poder de consumo, guapa e com muita classe deve morar que para isso somos uma “cidade fermosa”.
Quê caralho importam quatro pedras velhas em trocas de um novo e mega-guay centro comercial? Pai-Natal Karpin também virá com mais superfície de passeio (beirarrúa na neo-língua) na abarrotada rua Afonso XII, e uma passagem para carros que conectará a congestionada rua Torrecedeira com o centro urbano, a onde todo o mundo em Vigo sabe que os carros devem ir.
Olho que o Alcaide é socialista. Por isso algumas das 2500 moradias de luxo e com vistas ao porto pesqueiro (onde os guapos moradores poderão olhar os torsos despidos dos marinheiros) serão para pobretões: dessas VPO que já ninguém constrói nem compra em todo o Estado. Não se preocupem que não se descarta que Telmo (o do PP, não o do Puti-Club, que este é um matrimônio como Deus manda) se ocupe desse mester, e com umas cozinhas mega-luxury e outros “complementos” obrigatórios que impeçam que chegue ao novo Bairro do Cura algum indivíduo/a indevidamente penteado.
Graças por fim ao nosso ex-alcaide Castrillo, que compreendeu que a habitação e o desenvolvimento da cidade não devem ser alheios ao mundo dos negócios.
Graças ao Faro de Vigo e à nossa burguesia marula por pressionar nos trâmites administrativos deste projecto “lastrado por lentitud burocrática”.
Graças à nossa gauche divine. Eles melhor que ninguém sabem que a gente morar em bairros humanos e tradicionais por auto-sustentáveis, vai em contra do progresso económico e o crescimento ilimitado ao que nos temos que enganchar. Sorte que eles estão aqui para nos fazer ver que Rajoi está certo: Espanha vai como um foguete.

Mais info do PT de Vigo sobre o tema: https://www.facebook.com/partidodaterradevigo/photos/a.187708534700632.44115.181889275282558/364339597037524/?type=1&theater

 

Prolingua Bilingue ou Galicia Prolingue?

A absoluta coincidência na  interpretação dos factos entre Galicia Bilingue e Prolingua leva-nos a propor às suas directivas que se fundam num cordial abraço em lugar de fazerem a guerra por separado.
Na “carta aberta” que Prolingua escreve ao Hotel Rural Arreondo (que rejeitara um CV por incluir o galego como mérito) os argumentos de valorização do galego parecem inspirados pela mesminha Glória Lago.

A saber: o valor internacional do galego consiste em que o Estado colocou uns quantos leitorados de galego em universidades, e que há alguns vinhos que etiquetam em galego. Nada a dizer de ser a língua nascida na Galiza, a mais falada do hemisfério sul com 250 milhões de falantes, etc. E isso que na sua declaração de intenções dizem em Prolingua que “Os galegos sentímonos orgullosos de ter unha lingua milenaria cun glorioso pasado que, por circunstancias políticas, entrou nun túnel de silencio forzoso nas primeiras décadas do século XVI”.
Também Galicia Bilingue afirma amar muito o galego, a cordialidade e tudo isso. Razão pela qual defende duramente a ortografia castelhanizada.
Aliás, ao conseguirem ambos que a imensa maioria de galegos e galegas lhes importe um pito o que dizem, e porém situarem-se na periferia da agenda política (nem o PP lhes faz caso) recomendamos que unam as suas forças para um melhor cumprimento dos seus objectivos: que o galego seja um dialecto “queridinho” no Estado e que deixem aos professores de filologia de Santiago continuar a fazer de bem remunerados pastores do Pais, ainda que estes (isso já) nem na sua universidade conseguem evitar que os doutores prefiram o galego internacional ao seu invento para fazerem as teses.

Língua e política

Muito prezada Esther Garcia del Barrio,

Em primeiro lugar queremos como galegas agradecer imenso a tua
estima polo nosso idioma. É frequente que pessoas como tu que
provêm de fora de Galiza tenham e demostrem mais apreço polo
idioma que as que nasceram aqui.
Como vemos que te encontras em procura activa de emprego
queremos desde o Partido da Terra de Vigo dar-che algumas dicas
para te poupar sofrimento; um sofrimento que não é causado polo
apreço pola cultura nossa e qualquer outra, que só produz
alegria e como bem dizes enriquece, mas por um conceito erróneo
do que é o Estado (espanhol, por suposto), e o convívio dentro
deste.
É frequente em pessoas boas e generosas como tu que as
intenções e os desejos sejam misturados com a realidade.
Lamentamos imenso avisar de que a visão idílica dum Estado em
que todas as culturas e línguas são amadas está longe de ser
real. Nem a Constituição espanhola garante isto, nem tampouco o
fazia o Regime anterior ainda que de palavra o dissesse. Não se
pode amar o que não se conhece. Repara que o actual marco
jurídico não garante nada aos idiomas que não sejam o
castelhano. Apenas “respeito e proteção” que são palavras ocas
que leva o vento. Apesar do que possa parecer muitas etnias
ameríndias gozam de maior respeito e proteção legal e real que
o galego, catalão e euskera.
Repara ademais que o facto de estabelecer um certo compromisso
moral cara às autoridades para que estas “protejam” os idiomas
nativos produz (e mais nestes tempos de crise e austeridade)
uma reação de ressentimento por parte dos cidadãos espanhóis
monolingues, que são a maioria. Esta reação é avivada polo
facto de que em Catalunha e Euskadi os governos autonômicos sim
tomam a sério os seus idiomas.
Portanto, ainda que organizações tão diferentes como La Voz de
Galicia e A Mesa possam tomar a tua causa com simpatia, repara
que ambos estão a esconder as limitações do Estado para
exerceres a tua soberania e liberdade linguistica. La Voz de
Galicia porque aceita o papel subsidiário que tem o galego
dentro do sistema estatal em trocas das imensas subvenções que
recebe; A Mesa porque quer convencer (cada vez com menos
argumentos) à população civil de que governando os seus o
Estado ou a autonomia, tudo estaria arranjado. Por isso, ambos
aceitam e impõem uma ortografia do galego que o apresenta como
subsidiário do castelhano. Uns por uma visão nacionalista
espanhola, outros polo que entendem ser o contrário. Como bem
dizes “el problema es cuando partidos políticos y otra serie de
colectivos los utilizan a modo de arma arrojadiza”.
Aliás, o mundo da empresa no que te esforças por entrar como
empregada não é alheio às utilizações que fazem os partidos
políticos. Ao contrário, desde as grandes corporações impõe-se
uma visão das culturas do Estado em conflito. Ao serem os
partidos políticos parte secundária (um degrau por baixo) dessa
estrutura de poder, utilizam e lançam à sociedade de maneira
vertical. O setor da hotelaria é uma parte muito afetada. Não
sabemos se sabes que a principal cadeia do setor é a que edita
o jornal La Razon. Há hotéis na Galiza que proíbem os seus
empregados utilizar o seu idioma em conversações entre eles…
Olha: há quem acredita que na Espanha a população tem direitos
civis, e descobre que não é assim quando uma policia bate nela
ou a detém sem ordem judicial. Podes tomar o papel de mártir ou
intentar viver com dignidade nessa situação. Toma a tua opção
com liberdade e responsabilidade pessoal. Não esqueças que
agora es nova e corres o perigo de seres usada como carne de
canhão por quem te quer fazer acreditar que o sistema funciona
ou se pode transformar sem paciência e muito trabalho.
Considera também que ainda que na Galiza não tenhamos a nossa
parte do sistema empresarial e económico comprometido com a
nossa cultura, temos duas vantagens importantes: uma é que cada
vez menos gente acredita nesse sistema. Se moraste tempo entre
nós e aprendeste o nosso idioma saberás como reconhecer essas
pessoas: têm apreço polas suas origens rurais e não romperam
com elas, usam disso que chamamos retranca, e muitas cousas
mais… Verás que não são uma minoria, ainda que não estejam
nos jornais todos os dias e mesmo sejam objecto de mofa. Nessas
gentes a esplendorosa árvore da nossa cultura continua a passar
de mão em mão em pequenos pedaços escondidos. Não foi talada.
Dá frutos preciosos e viçosos.
Por último queremos avisar-te, ainda que já o comprovaste, que
o modelo de idioma que aprendeste de galego, misturado e
subsidiário do castelhano, vai situar-te, queiras ou não,
sempre no fio da navalha. Mas se utilizares o galego histórico,
real e internacional, e inclusive não tens reparos em utilizar
a sua denominação internacional (como fazem os que falam
espanhol ou inglês) não só sairás dessa armadilha, mas poderás
ir com a cabeça bem alta e desmascarar melhor a ignorância e
indignidade dos que vivem do sistema e fizeram-te dano.
Um abraço

Neta ligação está a noticia:http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/04/15/cuestion-idiomas/0003_201404G15P15994.htm?utm_source=facebook&utm_medium=referral&utm_campaign=fbgen

O Orçamento do concelho de Vigo

Estes são os pontos principais do acordo de governo do PPSOE. Prestem atenção porque será a pauta do futuro governo da Espanha.

1. Eliminação de organismos autônomos. Tudo será gerido polo poder central. A pequena e mínima descentralização funcional que havia desaparecerá. O que queira algo do Zoo da Madroa, que vaia à Torre da Praça do Rei e pague o estacionamento. Isto não significa redução de gasto, pois as funções e os empregos dependerão diretamente de cada concelhalia, ou seja, do Alcaide. (Mais nepotismo?) A excepção é Urbanismo, que já depende diretamente da Alcaidia (lembrem a origem do Venturazo) mas tem um volume tão grande que não se pode integrar numa concelhalia.

2. Pagarão-se os mesmos ou mais impostos, ainda que a vida sobe. O lixo em teoria baixa, mas ainda há que imputar o Sogamazo. Como o Concelho não tem uma dívida demasiado alta, e a que tem está no banco resgatado (polos nossos impostos) pode conceder-nos o privilégio de pagar em cômodos prazos.
A esquerdinha terrível diz que Vigo está cheio de indigentes, e o PPSOE que não é para tanto. Sejamos muitas ou poucas quem não tenhamos nem para pagar os serviços, todos os poli-profis de acordo em que:
a) os indigentes devem ser invisíveis. Após retirar os serviços de atenção do centro para não molestar, agora repartirá-se um cartão bancário para dissimular as esmolas.
b) o reparto de serviços caritativos deve ser centralizado na Torre da Praça do Rei. Nem falar de planos nas paroquias e no rural nos que a gente se dignifique trabalhando e recebendo ali os serviços.
c) polo que faz respeito à gente normal, todos bem: que nos sirvam de todo o que necessitamos (luz, água, saneamento e felicidade) que para isso pagamos impostos a Espanha.
d) portanto a população urbana deve continuar a ser a mesma ou mais, tenha ou não para comer. Que como o crescimento é infinito virão tempos melhores. Seguro que Chema lhe explicou bem a Caballero que Feijoo salvou o naval e Rajoy Espanha.

3. No que faz respeito à água, alguém muito inteligente deveu reparar em que não se pode fornecer e cobrar esse serviço como se fosse um negócio (quanto mais consumas, melhor) dado que a água é um bem escasso. Não é brincadeira: em Vigo temos os mesmos e centralizados (é um negócio, lembram?) serviços de recolhida e distribuição de água que Sevilha. Há dous anos quase há restrições.
Já que uma operação tão difícil como não cobrar o consumo por tramos não a pode fazer um político profissional, pois a sua qualificação é ainda elementar, nem por suposto Aqualia que faria trampa, há que devotar uma parte dos seus impostos para que algum colegui da Faculdade de Económicas, que Caballero lembra com tanto carinho, leve um cacho por fazé-lo.

4. Com efeito, a fé no crescimento infinito vai manter este matrimónio unido per saecula saeculorum. Chema convenceu a Abel de que Espanha irá bem, e Caballero a Figueroa de que Keynes é o mago das finanças. Portanto a meter mais baldosas nas ruas. Como os empregos que isto gere não passarão de quarenta, há que fazer muitos “planos de emprego”. Com a inestimável e nunca bem paga (125.000 euros para começar) ajuda de Pepe Garcia Costas e a sua Câmara de Comércio fará-se um plano de cursinhos para parados aborrecidos com uma dotação de meio milhão de euros para comprar (desculpe: colaborar) com as associações culturais e de vizinhos. Deste modo poderão estar entretidos enquanto o núcleo urbano evita ver-se enfraquecer. Três ou quatro hortas urbanas de dous metros quadrados sempre haverá nalgumas ruas para lembrar que a comida não sai da Torre da Praça do Rei. Isto, junto com os dous milhões devotados a esmolas, foi o ponto quente e onde a esquerdinha se desmarcou do novo matrimónio. Dizem que havia que devotar ainda mais dinheiro aos “planos de emprego” e “ajudas sociais”.

5. Como a água, a energia, o saneamento… tudo é um negócio, também o tem que ser o transporte de pessoas. Claro que se há uma matéria prima cara e escassa é o combustível. Por fim a solução será descentralizar? Não: o governo municipal decidirá com Vitrasa as terminais, percorridos, paradas e expedições. As paróquias e bairros? a dar tabaco.

6. Todo o orçamento, o pacto e o reparto tem a mesma ideia: a cidade como grande negócio administrado por políticos profissionais. Baixo essa premissa, o negócio tem que crescer ainda que o contexto seja não só de decrescimento mas ainda de queda do sistema. Melhor dito: os recursos cada vez mais escassos continuam a se concentrar (só que em menos mãos) seguindo a lei de ouro do capitalismo, com as apostilas do Keynesianismo ou o marxismo que dizem que o Estado deve levar a cabo a concentração para logo repartir.

7. Os verdadeiros recursos de futuro da cidade que estão no seu rural e a sua dispersão, não só ficam esquecidos, mas ainda caminho da demolição. O matrimónio destina uma partida por exemplo aos trâmites jurídicos derivados da expropriação dos montes de Cabral: natureza e moradias serão destruídas contra a vontade dos seus habitantes para maior negócio do sistema político profissional. Não se preocupem. As gentes expulsas poderão ir habitar algum bairro da cidade e receber algo dos subsídios sociais do orçamento. Estamos fazendo uma cidade formosa.

FAQ sobre o Partido da Terra

 

00011. Por quê escrevem em português?

É o Acordo Ortográfico de 1990 sancionado por todos os países que compartilhamos esta língua, que nasceu na Galiza com estas grafías, e que em toda a sua diversidade mundial tem as diferenças que qualquer outra língua extensa no mundo.No Acordo participou Valentim Paz Andrade, empresário e humanista fundador de Pescanova em representação do nosso País. O seu nome leva-o a Lei aprovada por unanimidade do Parlamento galego em 14 de março de 2014 a partir das 17.000 assinaturas duma Iniciativa Legislativa Popular impulsionada pela sociedade civil e na que muitas pessoas do PT participaram a titulo pessoal  com a finalidade de aproveitarmos o facto de o galego ser uma língua extensa. Esta unanimidade e aclamação social é o signo esperançado de que a sociedade galega quer defender o seu idioma próprio sem ideologias interessadas: contando com todas as suas potencialidades.O galego foi guardado durante séculos com amor e dignidade na nossa sociedade rural tradicional e entregue nas nossas mãos. O melhor reconhecimento possível á nossa história é dar-lhe ao idioma o valor de futuro que tem. Se a nossa língua fosse pequena e local amaríamo-la igual. Mas não é. E ainda que no PT cada quem escreve e fala como quer e pode, é para defendermos a liberdade linguística e o novo consenso polo que muitas pessoas optamos por empregar a versão internacional do galego.

2. Outra vaca no milho?

O nosso partido é bem diferente aos demais, pois também é diferente0002 o nosso conceito da política e mesmo da sociedade. Ao nosso ver, a política não deve servir para fazer carreiras profissionais, que afinal acabam por fazerem excepcional a honestidade e o desinteresse. Tampouco consideramos a política como algo que apenas possam ou devam fazer uns poucos. Todas as pessoas temos a capacidade de chegar a acordos e defender os próprios interesses, ideias e princípios civilizadamente.De aí que façamos diferença entre o que é representação e trabalho profissional. As pessoas que sejam representantes públicas no PT o que fazem é transmitirem os mandatos que tomam as assembleias paroquiais.

Não são profissionais, nem fazem um trabalho pelo que não devem cobrar nada mais que polas despesas (deslocamentos, por exemplo) que lhes gere a actividade de representar.

3. Como se organizam?0003

Não há um PT que governe sobre os seus afiliados. Cada paróquia, bairro e comarca constitui o seu PT que depois se organizam em Mancomunidade Galega.

As pessoas que se apresentam nas candidaturas eleitorais para além do compromisso a seguir os mandatos das assembleias abertas de cada lugar para as questões que a cada lugar afectem, e o de não cobrar remuneração pola sua actividade política, fazem-no num sentido rotatório. Cada comarca é representada por uma pessoa da lista que deixa o cargo passado um mês para a seguinte.

 

4. Uma política não profissional não é uma utopia?0004

Nos países com democracias nada recentes como Suíça ou no Reino Unido, as paróquias e freguesias têm poder de decisão e funcionam com democracia directa. O mesmo acontece hoje em concelhos do Estado Espanhol (País Vasco, Leão, Astúrias…) que conservam os sistemas de toma de decisão sobre assuntos públicos que Galiza teve tradicionalmente.Afinal é menos gravoso e mais humano que sistemas de governo e gestão que recebem os seus recursos dos orçamentos do Estado. No caso da Galiza chegou a ser mesmo humilhante com o estabelecimento de degraus de poder intermediadores, mais conhecidos como caciques.

5. É possível falar de democracia directa em sociedades complexas?0005

A sociedade quanto mais complexa, mais necessitada está de verdadeira democracia. Doutra maneira as instituições políticas acabam sendo correias de transmissão das grandes corporações que financiam os partidos e as campanhas, recolhem privilégios e influem nos sistemas de poder piramidal de cima a baixo.O chamado “poder executivo” e “poder legislativo” acabou por consistir numa especialização técnica para dar cobertura e executar as decisões que se tomam nos despachos das multinacionais.

6. Como pode funcionar uma democracia directa com milhões de pessoas?

0006

Simplesmente substituindo as massas polas pessoas; os Estados polas comunidades reais. É nestas últimas onde se pode e deve gerir o 90% dos problemas reais e da vida pública. O acesso às fontes de alimentação e energia e também serviços sociais renováveis e de proximidade não necessitam de grandes estruturas. Estas são invento dos Estados e dos poderes multinacionais para competirem entre eles. A acumulação de capital não é essencial

numa economia. Sim é essencial para um sistema económico não sustentável e baseado na força.Exemplos tão dispares e parecidos como o Presidente de Uruguai e o do Vaticano mostram que não queremos nem são úteis governantes nem Estados poderosos.

7. Por quê não consideram a democracia representativa como tal?

0007Porque não é possível. A níveis superiores de governo, os representantes profissionais são nomeados directamente polas multinacionais. Em ocasiões sem passar antes polas urnas como aconteceu na Itália.

Governantes com carisma e capacidade de liderar foram substituídas por pessoas dóceis cuja função consiste em executar o que lhes ordenam desde os despachos das grandes corporações.Uma vez no poder, o seu trabalho principal consiste em convencer aos seus eleitores e a toda a população em geral de que as medidas duras são necessárias. Para isso contam com uma cobertura mediática influenciável e carente de pluralismo. Do outro lado, a oposição reclama alternância, menos ajustes e mais crescimento económico. Isto último, que é universalmente assumido (mais PIB para mais trabalho assalariado) leva a espirais inflacionistas modelos de economia não sustentáveis que herdarão as gerações ou votantes do amanhã.Entretanto a sociedade civil sucumbe à verticalidade da vida pública. O tecido associativo e empresarial acaba formando parte da trama política. Chega-se a situações de puro totalitarismo como a de Cabral, onde os proprietários são expulsos à força das suas casas para favorecer negócios especulativos.

 

 

8. Não é melhor confiar na acumulação de forças na esquerda?

0008A esquerda não coloca em questão o modelo de desenvolvimento não sustentável nem a acumulação de capital.

Ao considerar a pessoa apenas na sua materialidade acredita na existência numa riqueza que as classes superiores reservam para si e que deve ser posta a disposição do povo. Mas em realidade tal riqueza apenas se cria com a exploração doutros países e a ruína das gerações futuras.

 

9. Como podemos viver sem um Estado forte?

0009Estamos acostumados a crer que a força do Estado é para proteger aos seus integrantes da força doutros Estados.  Nessa dinâmica de amigo-inimigo criam-se as instituições supra-nacionais como a UE. Dentro duma conceição geo-estratégica do poder como vectores de força, cremos que devemos ter o maior poder possível.

Mas em realidade a força dos Estados é para se protegerem eles e os capitais e corporações: os monopólios nos chamados sectores estratégicos. Uma sociedade tal não é mais forte. É mais vulnerável. Ao estar des-integrada, precisa de cada vez maiores recursos para poder funcionar e competir. Na Europa temos o exemplo de Suíça. Não necessitou nem necessita

um exército forte e grande armamento para repelir agressões e desenvolver-se. Apenas a coesão que dá saber que as pessoas formam parte das comunidades como participantes. Para além disso, há já estudos que verificam que a violência é a excepção histórica e natural do ser humano. O mundo contemporâneo dos Estados criou uma visão falsa do passado e, o que é pior, um presente assim.

 

10. A primeira vista parece populismo

0010Em tempos confusos e de descrédito institucional como os que estamos a viver, é fácil que apareçam movimentos populistas ou abertamente totalitários que negam a democracia inclusive as culturas e direitos  políticos dos povos do Estado. Os partidos democráticos apenas oferecem a perspectiva da avestruz.  Perante uma realidade frustrante,  umas instituições que necessitam ser reformuladas e um sistema económico insustentável,  querem que fechemos filas com eles para defender a democracia. No surgimento dos fascismos europeus no século XX foi por exemplo uma economia alemã hiper-inflacionada e empobrecida a que levou ao poder um tirano nas urnas.  A democracia não se defende com consignas e normas, mas fazendo que seja de verdade governo do povo.

 

11. Isto soa a demasiado revolucionário. A sociedade galega não entenderã.

0011Em realidade não é tão novo. O pensamento galeguista histórico, desde Murguia a Ramón Pinheiro, que estão na boca de todos, nasceu no século XIX como numa defesa da sociedade tradicional galega fronte ao poder do Estado e os grandes capitais. A Revista de Economia da Galiza (1958-1968) fundada e dirigida por Xaime Illa Couto foi o último chamado para uma economia que se baseasse na realidade de Galiza e não em interesses trazidos de fora. O capitalismo e o marxismo canonizaram os santos e converteram as suas figuras e exemplos em estátuas de sal, mas desde o profundo do nosso “vivamos como galegos” não deixamos de olhar com cepticismo ambos sistemas como algo muito alheio a nós.

12. Já está tudo pensado?

0012Não há nada pensado nem feito. Todas as contribuições e contradições são bem-vindas. Este é um projeto aberto, livre, flexível e inacabado; porque Galiza em si própria continua em estado de obra permanente. Mas como escrevera Castelão na lenda daquele desenho:  “Não lhe ponhais chatas à obra enquanto não for terminada.

O que pense que vai mal, que trabalhe nela: há lugar para todos”.

O espanholismo: caricatura de si mesmo. Duelo de ganhões.

A imprensa do regime está especializada em tomar meias verdades para desqualificar conceitos ou quadros de referência que se tornam perigosos para este.
O “jornalista” e bom espanhol Roberto Blanco Valdés temeroso duma nova coligação que desaloje o nacionalismo espanhol do poder em lugar de analisar a coerência e viabilidade das propostas políticas, o que faz é desqualifica-las sem analisar, como fez neste “artigo” em La Voz de Galicia:http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/04/02/patriota-gallego-beba-rioja/0003_201404G2P17993.htm
Deveria o Blanco Valdés saber que o conceito de soberania que utiliza o nacionalismo galego é incoerente em si mesmo, pois parte do facto de que a soberania das pessoas deve ser transmitida a um novo Estado, e às suas empresas subvencionadas. Não se trataria portanto de confrontar o seu nacionalismo espanhol ao galego, mas de ver em quê pontos o nacionalismo não responde às necessidades da sociedade actual. Claro que para isso há que ser profissional e honesto.

No que faz respeito à soberania alimentar, como na energética, ou a linguística não se trata de criar novas fronteiras, mas ao contrário, de elimina-las. Que todos e todas tenhamos a capacidade de produzir alimentos, como a propósito vimos fazendo e muito bem na Galiza, em lugar de estar obrigados a comprá-los no hipermecado cada vez com mais impostos encima, menos poder aquisitivo e (se a alguém lhe interessa isto) menos qualidade.
Por se alguém lhe interessou isso da qualidade, seria bom reter a ideia não só para o consumo, mas também para os intercâmbios comerciais. E já que se citou o caso de adegas do Ribeiro, podemos perguntar quantas exportam em mercados de qualidade e quantas o fazem com preços tirados e subvenções da OCM para deixar uns margens ridículos e o lucro às grandes distribuidoras de alimentação.
Tampouco AGE nem os outros partidos nacionalistas estão a responder estas perguntas. Estamos perante un duelo de ganhões que não resolve nem ajuda à verdadeira questão da soberania e o futuro. O 25 de Maio os galegos e galegas devemos demonstrar mais inteligência que tudo isso.