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FAQ sobre o Partido da Terra

 

00011. Por quê escrevem em português?

É o Acordo Ortográfico de 1990 sancionado por todos os países que compartilhamos esta língua, que nasceu na Galiza com estas grafías, e que em toda a sua diversidade mundial tem as diferenças que qualquer outra língua extensa no mundo.No Acordo participou Valentim Paz Andrade, empresário e humanista fundador de Pescanova em representação do nosso País. O seu nome leva-o a Lei aprovada por unanimidade do Parlamento galego em 14 de março de 2014 a partir das 17.000 assinaturas duma Iniciativa Legislativa Popular impulsionada pela sociedade civil e na que muitas pessoas do PT participaram a titulo pessoal  com a finalidade de aproveitarmos o facto de o galego ser uma língua extensa. Esta unanimidade e aclamação social é o signo esperançado de que a sociedade galega quer defender o seu idioma próprio sem ideologias interessadas: contando com todas as suas potencialidades.O galego foi guardado durante séculos com amor e dignidade na nossa sociedade rural tradicional e entregue nas nossas mãos. O melhor reconhecimento possível á nossa história é dar-lhe ao idioma o valor de futuro que tem. Se a nossa língua fosse pequena e local amaríamo-la igual. Mas não é. E ainda que no PT cada quem escreve e fala como quer e pode, é para defendermos a liberdade linguística e o novo consenso polo que muitas pessoas optamos por empregar a versão internacional do galego.

2. Outra vaca no milho?

O nosso partido é bem diferente aos demais, pois também é diferente0002 o nosso conceito da política e mesmo da sociedade. Ao nosso ver, a política não deve servir para fazer carreiras profissionais, que afinal acabam por fazerem excepcional a honestidade e o desinteresse. Tampouco consideramos a política como algo que apenas possam ou devam fazer uns poucos. Todas as pessoas temos a capacidade de chegar a acordos e defender os próprios interesses, ideias e princípios civilizadamente.De aí que façamos diferença entre o que é representação e trabalho profissional. As pessoas que sejam representantes públicas no PT o que fazem é transmitirem os mandatos que tomam as assembleias paroquiais.

Não são profissionais, nem fazem um trabalho pelo que não devem cobrar nada mais que polas despesas (deslocamentos, por exemplo) que lhes gere a actividade de representar.

3. Como se organizam?0003

Não há um PT que governe sobre os seus afiliados. Cada paróquia, bairro e comarca constitui o seu PT que depois se organizam em Mancomunidade Galega.

As pessoas que se apresentam nas candidaturas eleitorais para além do compromisso a seguir os mandatos das assembleias abertas de cada lugar para as questões que a cada lugar afectem, e o de não cobrar remuneração pola sua actividade política, fazem-no num sentido rotatório. Cada comarca é representada por uma pessoa da lista que deixa o cargo passado um mês para a seguinte.

 

4. Uma política não profissional não é uma utopia?0004

Nos países com democracias nada recentes como Suíça ou no Reino Unido, as paróquias e freguesias têm poder de decisão e funcionam com democracia directa. O mesmo acontece hoje em concelhos do Estado Espanhol (País Vasco, Leão, Astúrias…) que conservam os sistemas de toma de decisão sobre assuntos públicos que Galiza teve tradicionalmente.Afinal é menos gravoso e mais humano que sistemas de governo e gestão que recebem os seus recursos dos orçamentos do Estado. No caso da Galiza chegou a ser mesmo humilhante com o estabelecimento de degraus de poder intermediadores, mais conhecidos como caciques.

5. É possível falar de democracia directa em sociedades complexas?0005

A sociedade quanto mais complexa, mais necessitada está de verdadeira democracia. Doutra maneira as instituições políticas acabam sendo correias de transmissão das grandes corporações que financiam os partidos e as campanhas, recolhem privilégios e influem nos sistemas de poder piramidal de cima a baixo.O chamado “poder executivo” e “poder legislativo” acabou por consistir numa especialização técnica para dar cobertura e executar as decisões que se tomam nos despachos das multinacionais.

6. Como pode funcionar uma democracia directa com milhões de pessoas?

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Simplesmente substituindo as massas polas pessoas; os Estados polas comunidades reais. É nestas últimas onde se pode e deve gerir o 90% dos problemas reais e da vida pública. O acesso às fontes de alimentação e energia e também serviços sociais renováveis e de proximidade não necessitam de grandes estruturas. Estas são invento dos Estados e dos poderes multinacionais para competirem entre eles. A acumulação de capital não é essencial

numa economia. Sim é essencial para um sistema económico não sustentável e baseado na força.Exemplos tão dispares e parecidos como o Presidente de Uruguai e o do Vaticano mostram que não queremos nem são úteis governantes nem Estados poderosos.

7. Por quê não consideram a democracia representativa como tal?

0007Porque não é possível. A níveis superiores de governo, os representantes profissionais são nomeados directamente polas multinacionais. Em ocasiões sem passar antes polas urnas como aconteceu na Itália.

Governantes com carisma e capacidade de liderar foram substituídas por pessoas dóceis cuja função consiste em executar o que lhes ordenam desde os despachos das grandes corporações.Uma vez no poder, o seu trabalho principal consiste em convencer aos seus eleitores e a toda a população em geral de que as medidas duras são necessárias. Para isso contam com uma cobertura mediática influenciável e carente de pluralismo. Do outro lado, a oposição reclama alternância, menos ajustes e mais crescimento económico. Isto último, que é universalmente assumido (mais PIB para mais trabalho assalariado) leva a espirais inflacionistas modelos de economia não sustentáveis que herdarão as gerações ou votantes do amanhã.Entretanto a sociedade civil sucumbe à verticalidade da vida pública. O tecido associativo e empresarial acaba formando parte da trama política. Chega-se a situações de puro totalitarismo como a de Cabral, onde os proprietários são expulsos à força das suas casas para favorecer negócios especulativos.

 

 

8. Não é melhor confiar na acumulação de forças na esquerda?

0008A esquerda não coloca em questão o modelo de desenvolvimento não sustentável nem a acumulação de capital.

Ao considerar a pessoa apenas na sua materialidade acredita na existência numa riqueza que as classes superiores reservam para si e que deve ser posta a disposição do povo. Mas em realidade tal riqueza apenas se cria com a exploração doutros países e a ruína das gerações futuras.

 

9. Como podemos viver sem um Estado forte?

0009Estamos acostumados a crer que a força do Estado é para proteger aos seus integrantes da força doutros Estados.  Nessa dinâmica de amigo-inimigo criam-se as instituições supra-nacionais como a UE. Dentro duma conceição geo-estratégica do poder como vectores de força, cremos que devemos ter o maior poder possível.

Mas em realidade a força dos Estados é para se protegerem eles e os capitais e corporações: os monopólios nos chamados sectores estratégicos. Uma sociedade tal não é mais forte. É mais vulnerável. Ao estar des-integrada, precisa de cada vez maiores recursos para poder funcionar e competir. Na Europa temos o exemplo de Suíça. Não necessitou nem necessita

um exército forte e grande armamento para repelir agressões e desenvolver-se. Apenas a coesão que dá saber que as pessoas formam parte das comunidades como participantes. Para além disso, há já estudos que verificam que a violência é a excepção histórica e natural do ser humano. O mundo contemporâneo dos Estados criou uma visão falsa do passado e, o que é pior, um presente assim.

 

10. A primeira vista parece populismo

0010Em tempos confusos e de descrédito institucional como os que estamos a viver, é fácil que apareçam movimentos populistas ou abertamente totalitários que negam a democracia inclusive as culturas e direitos  políticos dos povos do Estado. Os partidos democráticos apenas oferecem a perspectiva da avestruz.  Perante uma realidade frustrante,  umas instituições que necessitam ser reformuladas e um sistema económico insustentável,  querem que fechemos filas com eles para defender a democracia. No surgimento dos fascismos europeus no século XX foi por exemplo uma economia alemã hiper-inflacionada e empobrecida a que levou ao poder um tirano nas urnas.  A democracia não se defende com consignas e normas, mas fazendo que seja de verdade governo do povo.

 

11. Isto soa a demasiado revolucionário. A sociedade galega não entenderã.

0011Em realidade não é tão novo. O pensamento galeguista histórico, desde Murguia a Ramón Pinheiro, que estão na boca de todos, nasceu no século XIX como numa defesa da sociedade tradicional galega fronte ao poder do Estado e os grandes capitais. A Revista de Economia da Galiza (1958-1968) fundada e dirigida por Xaime Illa Couto foi o último chamado para uma economia que se baseasse na realidade de Galiza e não em interesses trazidos de fora. O capitalismo e o marxismo canonizaram os santos e converteram as suas figuras e exemplos em estátuas de sal, mas desde o profundo do nosso “vivamos como galegos” não deixamos de olhar com cepticismo ambos sistemas como algo muito alheio a nós.

12. Já está tudo pensado?

0012Não há nada pensado nem feito. Todas as contribuições e contradições são bem-vindas. Este é um projeto aberto, livre, flexível e inacabado; porque Galiza em si própria continua em estado de obra permanente. Mas como escrevera Castelão na lenda daquele desenho:  “Não lhe ponhais chatas à obra enquanto não for terminada.

O que pense que vai mal, que trabalhe nela: há lugar para todos”.

3 opiniões sobre “FAQ sobre o Partido da Terra”

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