rafael portanet

Portanet, o exemplo de anti-governo

Rafael Portanet entrou na corporação municipal em 1938, ainda fumegando as pistolas dos camisas azuis. Que lhe quitem “o bailao”: os alcaides e procuradores da ditadura recebem hoje em dia todas as honras de qualquer instituição títere, como a Real Academia Galega.
Alcaide de Vigo de 1964 até 1970. Foi o exemplo de anti-governo. Levantava-se cedo, percorria a cidade em carro oficial e anotava os buracos a reparar. Logo se encerrava na casa do concelho para dar ordens. Naquela época (e no que lhe resta à atual) não se podia pensar que é um governo mais barato e eficiente perguntar às vizinhas quais são as suas necessidades, e ainda deixar que elas governem e arranjem as suas vidas. Naquela altura, e hoje, o sistema funciona expropriando os recursos e rendas das gentes, deixa-lhes (não sempre) uma pequena parte para sobreviver, e da-lhes logo uma ínfima parte em serviços após o passo por todos os filtros prévios da administração e os lobbies de interesses insustentaveis e porém necesitados dum “empurrãozinho” dos Orçamentos Gerais.
Entre esses lobbies estão a Zona Franca que o Ditador lhe “regalou” à cidade como cabeça de ponte da devastação capitalista. Portanet foi o seu Delegado desde 1947. Dela veio a fatoria de Citröen, à que lhe restam ainda dous telejornais antes de fechar, passo prévio por Marrocos. O outro lobby insustentável é o Celta com o estádio municipal pago e mantido com os nossos impostos, recortes e comedores de urgência para crianças e pessoas adultas, dos que ainda se reclamarão 8 milhões de euros para uma nova reforma do estádio. Não está prevista a devolução desse dinheiro por parte de Celta de Vigo SA. Já toca um pouco os genitais isso de que o investimento reverterá em novos investimentos e facturação de interesse comum. O mito dos anjos que passam com a cornúpia de ouro, como o da mão invisível.. tudo para roubar a soberania das pessoas começa a ser já cousa de tolos e alucinados. Aqui as únicas que receberão negócio são as tevês que compraram os monopólios de emissão. A propósito, de baixar o Celta a segunda, como aconteceu em 2004, quando também estava na Champions, todo esse “investimento” evaporara-se. Negócio mais especulativo, insustentável e fedorento não há.
O estádio “municipal” e Citroen colapsaram a paróquia de Balaidos, e produziram a desviação, soterramento e enmerdado do Rio Lagares, o verdadeiro símbolo e origem da cidade. Os vizinhos poderam abrir uns quantos bares e vender à especulação imobiliar: que não se queixem. O seguinte alcaide, Antonio Ramilo, outro candidato ao Dia das Letras Galegas, abriu uma avenida sempre atoada que cruza em forma de T com Castrelos, cuja destrução ou tunelação prevista já era demasiado inri, e ficou aí. O nome, para bacilar foi “Avenida Alcaide Portanet”. Depois, Carlos Príncipe para bacilar ainda mais chamou-lhe “Avenida de Citroen”.
Rafael Portanet pasou já em vida à História Mítica de Vigo criada polos lobbies marulos como esse alcaide machote e campechano que Vigo sempre quis, um Paco Vázquez do sul. Até tal ponto acreditou no seu papel que lhe deu o ponto regionalista e exigiu aos governadores de Franco que “não viessem à Galiza só a comer marisco” e que destruíssem a comarca com mais indústrias. Coitado. A elite marula de Vigo só está aqui para dizer amen. Foi fulminantemente cessado em 1970 quando o trepa-Ramilo lhe fez a cama. Mas a igreja não desampara os seus fieis: a salvação é eterna. Portanet foi depois procurador nas cortes de Franco junto outro ex-alcaide chamado Filgueira Valverde. E como ele, logo reciclado por AP, posteriormente PP. No seu caso como deputado.
Quando foi o 23-F e Tejero entrou no Congresso disparando pistolas, o cheiro a pólvora deveu lembrar-lhe o de 1938, e os familiares dos passeados em Vigo baixando as caras ante ele… Foi muito e retirou-se da política para dar pungentes beijaços e apertas excessivas e não solicitadas apenas aos seus netos e netas.

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