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Guiné Equatorial na CPLP, Campeonato mundial de futebol em galego… Os Estados ocidentais podem dar lições de ética?

Os Estados ocidentais, entre os quais está o Estado espanhol, o português, e também estaria um futuro Estado catalão ou galego, presumem terem conseguido um alto nível de bem-estar, justiça social e pluralismo político. Tudo isso seria possível por um alto degrau de desenvolvimento económico que foi levado a cabo polo sistema capitalista, cuja regra principal é a concentração de poder e riqueza.
Mas esta concentração inclui a obtenção de matérias primas (especialmente petróleo) fora das regras do “livre mercado”. A mão invisível não seria possível sem o punho visível dos Estados e o seu aparato militar. Os produtos de consumo barato também procedem da exploração laboral, nomeadamente em Ásia, que os fazem “competitivos”. O nosso bem-estar é pago num alto preço de sangue, suor e lágrimas de outros, que aginha será também nosso.
O nosso insustentável sistema capitalista foi imitado por Estados não ocidentais na procura dum crescimento económico, que é contemplado ingenuamente como único futuro possível e seguro. O caso mais claro é China, onde o materialismo vigorante foi capaz de destruir não só a sua admirável cultura milenar, mas ainda a natureza humana. Exemplo disto é o abandono de milhares de crianças por mães que não os podem cuidar num sistema injusto, nem podem enfrentar as multas por violarem a lei do filho único que gradua o crescimento populacional da China, e evita de passagem uma sobre-demanda mundial de comodities.

A nossa progressia bem-pensante acredita que os nossos Estados são exemplo para o mundo, e julga outros Estados e pessoas desde uma superioridade moral que esquece que eles estão a nos imitar, e que não seriamos viáveis nem sustentáveis sem os punhos e cintos de aço que utilizamos para dominá-los. O capitalismo não é eticamente possível tampouco para nós, ainda que gostemos viver na inópia. Os nossos Estados não são exemplo nenhum de ética.
Por isso, construir juízos de política internacional desde o nosso confortável bem-estar, sem sequer tomarmos a moléstia de imaginar a possibilidade duma economia sustentável sobre os nossos próprios recursos, é um completo ato de hipocrisia. Tal qual.
Dessa perspectiva há quem racha as vestiduras polo facto de que Guiné Equatorial seja admitido na CPLP. As ONG que recebem subvenções da riqueza expoliada, poderio militar mediante, daqueles países que logo vão ajudar, dizem estar escandalizadas e cancelam programas de “ajuda”. Os “persoeiros” que introduziram Galiza e o seu idioma na órbita da cultura espanhola e no seu circuito de subvenções, como objecto de “respeito e proteção” obtendo bons benefícios e salários disso, são os primeiros em desqualificar a CPLP (de fora dela) por admitir Guiné Equatorial. E tampouco lhes agrada que se lembre que o Mundial de futebol falou a mesma língua que nós. No entanto, Repsol e GALP (e também a francesa Total) competem por conseguirem contratos de exploração de petróleo naqueles países.

O PT de Vigo propõe, em troca, situar no seu contexto o facto de que todos os Estados atuam seguindo os seus interesses, ainda fora de toda ética. E este reconhecimento, que não seguimento, será um primeiro passo para exercer neles os direitos que temos e que podemos conseguir para outros, sempre e quando não esqueçamos que os direitos não procedem dum Estado que no-los concede, mas da natureza humana, e porém devem estar realizados e sustentados numa economia que proceda da própria terra. E, no nosso caso, na re-descoberta duma digníssima história e cultura de séculos que seja alicerce dum imenso futuro.
Portanto, ainda que a Galiza deve aspirar a algo muito mais humano e democrático que um Estado, pode e deve fazer a sua contribuição numa instituição de Estados na que deve estar por direito próprio. E assim ajudar a transformar as estruturas criadas por e para o sistema capitalista (CPLP, UE…), ou seja como convergência de vetores de força, em reais confederações e mancomunidades baseadas na cooperação e a solidariedade mútua.

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