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Hipocrisia dos políticos profissionais

Xose Luis Barreiro Rivas foi na segunda legislatura (1985) vice-presidente do governo galego com Gerardo Fernandez Albor (o Merendinhas) e portanto o factótum da nascente Junta. Levado pola sua ambição e vaidade, não se conformou com ser segundo. Deu um golpe de Estado no que os conselheiros se revelaram contra o presidente. O Merendinhas, que não tinha muitas luzes, exigiu-lhes num conselho da Junta que assinassem um manifesto apoiando-o. “Se es tu quem nos nomeas a nós” disseram-lhe, e não assinaram manifesto, dando por feita a revolução. Mas o Merendinhas foi salvado por Fraga, naquela altura o Presidente da AP espanhola.
Naquelas eleições da segunda legislatura galega, AP (antigo PP) tivera maioria simples, 34 deputados. 22 o PSOE e 11 Coalicion Galega. A falta de acordo em CG de a quem apoiar e dar-lhe a Junta fizera que se dividisse formando-se o PNG, e Merendinhas conseguira renovar a presidência. Foi polo que Barreiro, fracassado o golpe dos conselheiros, manobrou e saltou de AP com 5 deputados. Entrou em CG como líder, e junto com o PNG fizeram logo uma moção de censura ao Merendinhas para conseguirem o poder. Gonzalez Lage ficou Presidente do Tripartido.
As conspirações, conjuras e lutas polo poder sempre tiveram -segundo eles- o objectivo de pensarem no bem do povo, inclusive (dizem) no seu desenvolvimento como Nação. O povo não o deveu entender tão fácil e nas seguintes eleições (1989) os partidos nacionalistas de centro foram arrasados e Fraga feito Presidente com maioria absoluta. A semana seguinte já estava almoçando com Alonso Montero para desenhar a política cultural para o Pais.
Barreiro foi castigado fisicamente. Condenado por prevaricação por um assunto de máquinas traga-perras foi inabilitado para exercer a política. Os favores pessoais feitos no seu momento fizeram que pudesse ganhar a vida dando aulas na Universidade e escrevendo em La Voz de Galicia. Inclusive o Bloco tomou este pilhavão para o seu conselho de sábios de cara a uma non-nata reforma do Estatuto. Hoje vemo-lo em La Voz louvando Suarez e Azcuna, para dizer que “não todos os políticos são iguais”
http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/03/22/politicos-diferentes/0003_201403G22P20996.htm

Agora que Adolfo Suarez está na agonia, ele e toda a plêiade de políticos profissionais, trepas e imorais que vivem do sistema têm a desvergonha de colocá-lo como exemplo. Caso de ter sido Suarez tão exemplar, foram todos eles, começando polo Rei quem o destruíram, pois assim é como funciona o sistema. O próprio Sabino Fernandez Campo, secretário da Casa Real e verdadeiro governo da Espanha na Transição, foi destruído por esta tropa que agora tem o poder. No seu caso por Mario Conde, que tomando guisquis com Juan Carlos na Zarzuela para colocar o seu candidato, destruía Sabino, já doente e queimado após o 23-F, acusando-o de delator das infidelidades maritais do monarca, e ria às gargalhadas com o Borbom fazendo jogo de palavras com o lugar de procedência de Sabino (Latores): “Tens que nomea-lo Conde Delatores”, haha!”
Produz vomito ver a escória humana dos políticos profissionais utilizar Suarez para reivindicarem uma dignidade que nunca tiveram nem entre si. Dignidade impossível ou quanto menos excepcional no jogo profissionalizado de poder e dinheiro. Que deixem ao menos quem se retirou dessa imundice morrer em paz.