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Espanha tem um problema

Com a sociedade tradicional galega em vias de liquidação os referentes éticos e práticos para criar famílias mudaram completamente.Isto faz que como anuncia com grande alarma La Voz de su Amo, hoje, “Sólo un país en el mundo habla gallego”. Ah, desculpem o lapsus. O titular é “Sólo un país en el mundo tiene una media de edad superior a la gallega”. Esse país não está no denominado “terceiro mundo” como poderiam imaginar. Ao contrário: tráta-se do Pincipado de Mónaco. O país com maior Renda Per Cápita do mundo e o segundo em Índice de Desenvolvimento Humano. Como acontece com todas as notícias manipuladas, estas acabam por voltar contra o manipulador. Qué problema tem Galiza com a meia de idade? Ningúm. Quem tem o problema? O Estado Espanhol.
O problema será do Estado que terá que pagar as pensões dos idosos galegos sem que tenha mão de obra para a sua economia capitalista. Os que daquela seremos velhinhos e velhinhas estaremos encantados de que Espanha nos devolva o que nos expoliou com impostos. E se não tem (que é o mais provável) estaremos encantados de manda-la a pentear macacos, que já nos organizaremos sem ela.
Para La Voz (e também para quem sonham com um Estadinho galego) será um sufrimento inaceitável ver que nas estatísiticas oficiais Galiza recebe mais do que dá. Mas não devem sofrer tanto: as estatísticas podem manipular-se como de facto acontece agora mesmo, dando Galiza mais do que recebe ainda que a verdade oficial seja outra. Que lhe importa a você que a sua pensão a paguem galegos e galegas nados ou adotados que moram aqui, ou que a paquem galegos e galegas que emigraram? E ainda: quantos poderão cobrar pensão? porque a idade de incorporação ao mercado laboral é cada vez mais tardia, e não chega para o mínimo de cotização. E mais ainda: se ficassemos todos e todas aqui e fizessemos um país que contribuisse muito ao PIB “nacional” daria igual. Na Espanha existe isso que se chama “solidariedade obrigatória”: que lho perguntem aos catalães e bascos: sim a esses que querem o seu Estado para deixar de pagar os pobretões estremenos e galegos (nós não somos deficitários, mas eles não sabem) e que se apresentam coaligados às europeias com “nacionalistas galegos”.
Tanto dá. A realidade é que em quarenta anos todos os Estados actuais e futuros estarão na falência. O casino financeiro hiper-inflacionista da economia mundial rebentará, e essa economia e comércio basados no consumo de fontes energias e recursos finitos desaparecerá. Nesse momento tanto dará que sejamos mais velhos: os nossos “maiores” sempre foram bem fortes, nomeadamente as mulheres. Apartir daquela sim que poderemos ter uma economia sustentável e famílias sustentáveis também.