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É o estado quem nos estupra

O Partido da Terra de Vigo congratula-se de que o Estado reconheça que não se pode ocupar da segurança das pessoas.
Se comparamos as medidas de prudência que o ministério de negócios estrangeiros do Estado espanhol recomenda a quem viajar a outros Estados, vemos uma notável diferença entre aqueles que supõem garantir a segurança pessoal como Finlândia, Alemanha, e outros como Venezuela ou México nos que não é assim.
Com a nota publicada polo ministério do interior espanhol recomendando às mulheres tomarem medidas pessoais para não serem estupradas, o Estado espanhol está a reconhecer ser parte do segundo grupo, e que não pode garantir a segurança dos seus habitantes e visitantes.
O motivo é sem dúvida de tipo económico e social, pois as forças policiais espanholas não parecem estar ultimamente desmotivadas ou de greve.
A publicação das dicas causou o escândalo de colectivos social-democratas. Dado que os impostos não dão para pagar mais polícia devem querer que continuemos tirando do teto da dívida pública e transferir-lhe solidariamente o problema às nossas crianças. Para dar-lhe um verniz progre alguns social-democratas mais cômicos fazem disto um problema moral ou de gênero.
Por parte do PT da cidade mais povoada e perigosa da Galiza, não podemos mais que reconhecer a valentia do Estado ao reconhecer os factos e pedir-lhe coerência: que se auto-dissolva e entregue a segurança  e todas as demais competências e recursos confiscados às comunidades humanas. Deste jeito sem dúvida moraremos em lugares mais humanos e seguros.

http://www.interior.gob.es/web/servicios-al-ciudadano/seguridad/consejos-para-su-seguridad/prevencion-de-la-violaci%C3%B3n

Espanha tem um problema

Com a sociedade tradicional galega em vias de liquidação os referentes éticos e práticos para criar famílias mudaram completamente.Isto faz que como anuncia com grande alarma La Voz de su Amo, hoje, “Sólo un país en el mundo habla gallego”. Ah, desculpem o lapsus. O titular é “Sólo un país en el mundo tiene una media de edad superior a la gallega”. Esse país não está no denominado “terceiro mundo” como poderiam imaginar. Ao contrário: tráta-se do Pincipado de Mónaco. O país com maior Renda Per Cápita do mundo e o segundo em Índice de Desenvolvimento Humano. Como acontece com todas as notícias manipuladas, estas acabam por voltar contra o manipulador. Qué problema tem Galiza com a meia de idade? Ningúm. Quem tem o problema? O Estado Espanhol.
O problema será do Estado que terá que pagar as pensões dos idosos galegos sem que tenha mão de obra para a sua economia capitalista. Os que daquela seremos velhinhos e velhinhas estaremos encantados de que Espanha nos devolva o que nos expoliou com impostos. E se não tem (que é o mais provável) estaremos encantados de manda-la a pentear macacos, que já nos organizaremos sem ela.
Para La Voz (e também para quem sonham com um Estadinho galego) será um sufrimento inaceitável ver que nas estatísiticas oficiais Galiza recebe mais do que dá. Mas não devem sofrer tanto: as estatísticas podem manipular-se como de facto acontece agora mesmo, dando Galiza mais do que recebe ainda que a verdade oficial seja outra. Que lhe importa a você que a sua pensão a paguem galegos e galegas nados ou adotados que moram aqui, ou que a paquem galegos e galegas que emigraram? E ainda: quantos poderão cobrar pensão? porque a idade de incorporação ao mercado laboral é cada vez mais tardia, e não chega para o mínimo de cotização. E mais ainda: se ficassemos todos e todas aqui e fizessemos um país que contribuisse muito ao PIB “nacional” daria igual. Na Espanha existe isso que se chama “solidariedade obrigatória”: que lho perguntem aos catalães e bascos: sim a esses que querem o seu Estado para deixar de pagar os pobretões estremenos e galegos (nós não somos deficitários, mas eles não sabem) e que se apresentam coaligados às europeias com “nacionalistas galegos”.
Tanto dá. A realidade é que em quarenta anos todos os Estados actuais e futuros estarão na falência. O casino financeiro hiper-inflacionista da economia mundial rebentará, e essa economia e comércio basados no consumo de fontes energias e recursos finitos desaparecerá. Nesse momento tanto dará que sejamos mais velhos: os nossos “maiores” sempre foram bem fortes, nomeadamente as mulheres. Apartir daquela sim que poderemos ter uma economia sustentável e famílias sustentáveis também.

Hipocrisia dos políticos profissionais

Xose Luis Barreiro Rivas foi na segunda legislatura (1985) vice-presidente do governo galego com Gerardo Fernandez Albor (o Merendinhas) e portanto o factótum da nascente Junta. Levado pola sua ambição e vaidade, não se conformou com ser segundo. Deu um golpe de Estado no que os conselheiros se revelaram contra o presidente. O Merendinhas, que não tinha muitas luzes, exigiu-lhes num conselho da Junta que assinassem um manifesto apoiando-o. “Se es tu quem nos nomeas a nós” disseram-lhe, e não assinaram manifesto, dando por feita a revolução. Mas o Merendinhas foi salvado por Fraga, naquela altura o Presidente da AP espanhola.
Naquelas eleições da segunda legislatura galega, AP (antigo PP) tivera maioria simples, 34 deputados. 22 o PSOE e 11 Coalicion Galega. A falta de acordo em CG de a quem apoiar e dar-lhe a Junta fizera que se dividisse formando-se o PNG, e Merendinhas conseguira renovar a presidência. Foi polo que Barreiro, fracassado o golpe dos conselheiros, manobrou e saltou de AP com 5 deputados. Entrou em CG como líder, e junto com o PNG fizeram logo uma moção de censura ao Merendinhas para conseguirem o poder. Gonzalez Lage ficou Presidente do Tripartido.
As conspirações, conjuras e lutas polo poder sempre tiveram -segundo eles- o objectivo de pensarem no bem do povo, inclusive (dizem) no seu desenvolvimento como Nação. O povo não o deveu entender tão fácil e nas seguintes eleições (1989) os partidos nacionalistas de centro foram arrasados e Fraga feito Presidente com maioria absoluta. A semana seguinte já estava almoçando com Alonso Montero para desenhar a política cultural para o Pais.
Barreiro foi castigado fisicamente. Condenado por prevaricação por um assunto de máquinas traga-perras foi inabilitado para exercer a política. Os favores pessoais feitos no seu momento fizeram que pudesse ganhar a vida dando aulas na Universidade e escrevendo em La Voz de Galicia. Inclusive o Bloco tomou este pilhavão para o seu conselho de sábios de cara a uma non-nata reforma do Estatuto. Hoje vemo-lo em La Voz louvando Suarez e Azcuna, para dizer que “não todos os políticos são iguais”
http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/03/22/politicos-diferentes/0003_201403G22P20996.htm

Agora que Adolfo Suarez está na agonia, ele e toda a plêiade de políticos profissionais, trepas e imorais que vivem do sistema têm a desvergonha de colocá-lo como exemplo. Caso de ter sido Suarez tão exemplar, foram todos eles, começando polo Rei quem o destruíram, pois assim é como funciona o sistema. O próprio Sabino Fernandez Campo, secretário da Casa Real e verdadeiro governo da Espanha na Transição, foi destruído por esta tropa que agora tem o poder. No seu caso por Mario Conde, que tomando guisquis com Juan Carlos na Zarzuela para colocar o seu candidato, destruía Sabino, já doente e queimado após o 23-F, acusando-o de delator das infidelidades maritais do monarca, e ria às gargalhadas com o Borbom fazendo jogo de palavras com o lugar de procedência de Sabino (Latores): “Tens que nomea-lo Conde Delatores”, haha!”
Produz vomito ver a escória humana dos políticos profissionais utilizar Suarez para reivindicarem uma dignidade que nunca tiveram nem entre si. Dignidade impossível ou quanto menos excepcional no jogo profissionalizado de poder e dinheiro. Que deixem ao menos quem se retirou dessa imundice morrer em paz.