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Tem até meio-dia

A população dos bairros norte de Gaza, umas 10.000 pessoas receberam em segunda-feira o aviso de que tinham até o meio dia para abandonarem as suas casas e as suas pertenças. Depois houve duros bombardeios da aviação israelita na sua louca e assassina campanha de extermínio da população palestina.
As famílias fugidas apenas puderam levar consigo o básico. Não queriam que as suas casas se convertessem numa armadilha como lhes acontecera anos atrás aos judeus que moravam em Alemanha. Quando Hitler ditou a endlösung já foi tarde para eles, pois nem América nem nenhum país quis acolhê-los, e o Reino Unido fechara as fronteiras de Palestina onde já durante décadas alguns emigraram com o posto para constituírem comunidades agrícolas. Na Europa os judeus ficaram presos na armadilha,
Como é sabido, os judeus que sobreviveram fundaram sobre a culpa de ocidente o seu Estado, com cidades, trabalho assalariado e bem-estar que agora os palestinos estão a disturbar, por isso decidiram elimina-los. Israel tem um Estado militar e a Palestina ainda não.

Ainda poderíamos continuar por aí: o direito da Palestina a um Estado, e o de Israel à segurança, mas seguramente não chegaríamos a nada. Nunca se chegou a nada por aí…
Mas sim podemos tirar uma conclusão que seja útil para nós. Também nós moramos numa ratoeira e temos um prazo, que no nosso caso marca a espiral inflacionista e a rendibilidade dos combustíveis fósseis.
Quando expire o nosso prazo, a economia industrial colapse e as cidades se derrubem, todos intentarão escapar de golpe, mas será tarde e não teremos tempo. Nós não temos experiência em fazer vergéis de desertos, como os judeus. Só sabemos -como agora eles- como funciona um Estado, a sua economia capitalista, e a prioridade da força bruta…

Prolingua Bilingue ou Galicia Prolingue?

A absoluta coincidência na  interpretação dos factos entre Galicia Bilingue e Prolingua leva-nos a propor às suas directivas que se fundam num cordial abraço em lugar de fazerem a guerra por separado.
Na “carta aberta” que Prolingua escreve ao Hotel Rural Arreondo (que rejeitara um CV por incluir o galego como mérito) os argumentos de valorização do galego parecem inspirados pela mesminha Glória Lago.

A saber: o valor internacional do galego consiste em que o Estado colocou uns quantos leitorados de galego em universidades, e que há alguns vinhos que etiquetam em galego. Nada a dizer de ser a língua nascida na Galiza, a mais falada do hemisfério sul com 250 milhões de falantes, etc. E isso que na sua declaração de intenções dizem em Prolingua que “Os galegos sentímonos orgullosos de ter unha lingua milenaria cun glorioso pasado que, por circunstancias políticas, entrou nun túnel de silencio forzoso nas primeiras décadas do século XVI”.
Também Galicia Bilingue afirma amar muito o galego, a cordialidade e tudo isso. Razão pela qual defende duramente a ortografia castelhanizada.
Aliás, ao conseguirem ambos que a imensa maioria de galegos e galegas lhes importe um pito o que dizem, e porém situarem-se na periferia da agenda política (nem o PP lhes faz caso) recomendamos que unam as suas forças para um melhor cumprimento dos seus objectivos: que o galego seja um dialecto “queridinho” no Estado e que deixem aos professores de filologia de Santiago continuar a fazer de bem remunerados pastores do Pais, ainda que estes (isso já) nem na sua universidade conseguem evitar que os doutores prefiram o galego internacional ao seu invento para fazerem as teses.