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Quê seria de nós sem La Voz.

O Estado português acaba de conseguir 5.000 milhões de euros que lhes sobravam aos milionários da Troika para resgatar o Banco do Espírito Santo. É brincadeira. Esse dinheiro terá que ser devolvido polos portugueses com os seus impostos e cortes de serviços.

E para que continue sem faltar o humor negro, eis um confronto de titulares. Observem qual dos jornais é o que traduz “Espírito” e “Novo” ao castelhano, não vaia ser que os galleguinhos não compreendam.

Le Monde Diplomatique (Paris)
Le Portugal va recapitaliser la banque Banco Espirito Santo
…regroupant les actifs les plus toxiques, et une « bonne » banque, qui sera nommée Novo Banco.

le monde

El Pais (Madrid)
Portugal rescata al Banco Espírito Santo con los fondos de la ‘troika’
La fórmula para usar el crédito divide los activos entre dos bancos, el Novo y el malo.

el pais
La Voz de los galleguiños (A Corunha)
Portugal rescata al Banco Espíritu Santo con 4.900 millones de la troika. Carlos Costa anuncia la creación de una nueva entidad, llamada Nuevo Banco,

la voz

Com certeza, sem os risos que nos provoca este jornal, a vida seria ainda mais dura…

Samil: Em quê idioma está escrito?

“Los carteles están escritos en gallego, portugués e inglés para que lo entienda el mayor número de turistas posible” afirma o Faro de Vigo duns cartazes que como se pode ver estão em castelhano (grande), galego e inglês (pequeno).
Claro que o Faro entende que o galego é um dialecto do castelhano, polo que os cartazes podem estar principalmente em castelhano e nesta ocasião fazer coincidir com o galego, salvando assim o molesto expediente.
Se considerarmos junto com a opinião científica unânime e o sentido comum que o galego e português são a mesma língua, o nosso idioma está colocado junto às línguas estrangeiras: nós somos turistas nas nossas praias? Ou é que temos que deixar claro aos portugueses que isto é Espanha e eles estão no estrangeiro?
Se o galego (ou português) estivesse numa posição principal, não só informaríamos e receberíamos melhor aos visitantes e nativos. Também dignificaríamos a nossa língua. Evidentemente não foram essas a intenções de quem oficializou o castrapinho há 30 anos, e que o ano que vem receberá o homenagem da RAG.

Prolingua Bilingue ou Galicia Prolingue?

A absoluta coincidência na  interpretação dos factos entre Galicia Bilingue e Prolingua leva-nos a propor às suas directivas que se fundam num cordial abraço em lugar de fazerem a guerra por separado.
Na “carta aberta” que Prolingua escreve ao Hotel Rural Arreondo (que rejeitara um CV por incluir o galego como mérito) os argumentos de valorização do galego parecem inspirados pela mesminha Glória Lago.

A saber: o valor internacional do galego consiste em que o Estado colocou uns quantos leitorados de galego em universidades, e que há alguns vinhos que etiquetam em galego. Nada a dizer de ser a língua nascida na Galiza, a mais falada do hemisfério sul com 250 milhões de falantes, etc. E isso que na sua declaração de intenções dizem em Prolingua que “Os galegos sentímonos orgullosos de ter unha lingua milenaria cun glorioso pasado que, por circunstancias políticas, entrou nun túnel de silencio forzoso nas primeiras décadas do século XVI”.
Também Galicia Bilingue afirma amar muito o galego, a cordialidade e tudo isso. Razão pela qual defende duramente a ortografia castelhanizada.
Aliás, ao conseguirem ambos que a imensa maioria de galegos e galegas lhes importe um pito o que dizem, e porém situarem-se na periferia da agenda política (nem o PP lhes faz caso) recomendamos que unam as suas forças para um melhor cumprimento dos seus objectivos: que o galego seja um dialecto “queridinho” no Estado e que deixem aos professores de filologia de Santiago continuar a fazer de bem remunerados pastores do Pais, ainda que estes (isso já) nem na sua universidade conseguem evitar que os doutores prefiram o galego internacional ao seu invento para fazerem as teses.

Língua e política

Muito prezada Esther Garcia del Barrio,

Em primeiro lugar queremos como galegas agradecer imenso a tua
estima polo nosso idioma. É frequente que pessoas como tu que
provêm de fora de Galiza tenham e demostrem mais apreço polo
idioma que as que nasceram aqui.
Como vemos que te encontras em procura activa de emprego
queremos desde o Partido da Terra de Vigo dar-che algumas dicas
para te poupar sofrimento; um sofrimento que não é causado polo
apreço pola cultura nossa e qualquer outra, que só produz
alegria e como bem dizes enriquece, mas por um conceito erróneo
do que é o Estado (espanhol, por suposto), e o convívio dentro
deste.
É frequente em pessoas boas e generosas como tu que as
intenções e os desejos sejam misturados com a realidade.
Lamentamos imenso avisar de que a visão idílica dum Estado em
que todas as culturas e línguas são amadas está longe de ser
real. Nem a Constituição espanhola garante isto, nem tampouco o
fazia o Regime anterior ainda que de palavra o dissesse. Não se
pode amar o que não se conhece. Repara que o actual marco
jurídico não garante nada aos idiomas que não sejam o
castelhano. Apenas “respeito e proteção” que são palavras ocas
que leva o vento. Apesar do que possa parecer muitas etnias
ameríndias gozam de maior respeito e proteção legal e real que
o galego, catalão e euskera.
Repara ademais que o facto de estabelecer um certo compromisso
moral cara às autoridades para que estas “protejam” os idiomas
nativos produz (e mais nestes tempos de crise e austeridade)
uma reação de ressentimento por parte dos cidadãos espanhóis
monolingues, que são a maioria. Esta reação é avivada polo
facto de que em Catalunha e Euskadi os governos autonômicos sim
tomam a sério os seus idiomas.
Portanto, ainda que organizações tão diferentes como La Voz de
Galicia e A Mesa possam tomar a tua causa com simpatia, repara
que ambos estão a esconder as limitações do Estado para
exerceres a tua soberania e liberdade linguistica. La Voz de
Galicia porque aceita o papel subsidiário que tem o galego
dentro do sistema estatal em trocas das imensas subvenções que
recebe; A Mesa porque quer convencer (cada vez com menos
argumentos) à população civil de que governando os seus o
Estado ou a autonomia, tudo estaria arranjado. Por isso, ambos
aceitam e impõem uma ortografia do galego que o apresenta como
subsidiário do castelhano. Uns por uma visão nacionalista
espanhola, outros polo que entendem ser o contrário. Como bem
dizes “el problema es cuando partidos políticos y otra serie de
colectivos los utilizan a modo de arma arrojadiza”.
Aliás, o mundo da empresa no que te esforças por entrar como
empregada não é alheio às utilizações que fazem os partidos
políticos. Ao contrário, desde as grandes corporações impõe-se
uma visão das culturas do Estado em conflito. Ao serem os
partidos políticos parte secundária (um degrau por baixo) dessa
estrutura de poder, utilizam e lançam à sociedade de maneira
vertical. O setor da hotelaria é uma parte muito afetada. Não
sabemos se sabes que a principal cadeia do setor é a que edita
o jornal La Razon. Há hotéis na Galiza que proíbem os seus
empregados utilizar o seu idioma em conversações entre eles…
Olha: há quem acredita que na Espanha a população tem direitos
civis, e descobre que não é assim quando uma policia bate nela
ou a detém sem ordem judicial. Podes tomar o papel de mártir ou
intentar viver com dignidade nessa situação. Toma a tua opção
com liberdade e responsabilidade pessoal. Não esqueças que
agora es nova e corres o perigo de seres usada como carne de
canhão por quem te quer fazer acreditar que o sistema funciona
ou se pode transformar sem paciência e muito trabalho.
Considera também que ainda que na Galiza não tenhamos a nossa
parte do sistema empresarial e económico comprometido com a
nossa cultura, temos duas vantagens importantes: uma é que cada
vez menos gente acredita nesse sistema. Se moraste tempo entre
nós e aprendeste o nosso idioma saberás como reconhecer essas
pessoas: têm apreço polas suas origens rurais e não romperam
com elas, usam disso que chamamos retranca, e muitas cousas
mais… Verás que não são uma minoria, ainda que não estejam
nos jornais todos os dias e mesmo sejam objecto de mofa. Nessas
gentes a esplendorosa árvore da nossa cultura continua a passar
de mão em mão em pequenos pedaços escondidos. Não foi talada.
Dá frutos preciosos e viçosos.
Por último queremos avisar-te, ainda que já o comprovaste, que
o modelo de idioma que aprendeste de galego, misturado e
subsidiário do castelhano, vai situar-te, queiras ou não,
sempre no fio da navalha. Mas se utilizares o galego histórico,
real e internacional, e inclusive não tens reparos em utilizar
a sua denominação internacional (como fazem os que falam
espanhol ou inglês) não só sairás dessa armadilha, mas poderás
ir com a cabeça bem alta e desmascarar melhor a ignorância e
indignidade dos que vivem do sistema e fizeram-te dano.
Um abraço

Neta ligação está a noticia:http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/04/15/cuestion-idiomas/0003_201404G15P15994.htm?utm_source=facebook&utm_medium=referral&utm_campaign=fbgen