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Porrinho, Ponte-Vedra… Quem demite?

O imputado alcaide do Porrinho, Nelson Santos, confia-se a Deus. Ele chegara ao poder mediante uma moção de censura na que o Partido Popular foi capaz de perdoar quem anos atrás marchara da casa do Pai para foçar com nacionalistas e socialistas. Este bom cristão não considera imoral nem pedra de escândalo o facto de ter graves imputações junto com outras 8 pessoas do PP e próximas. Tampouco o seu partido correligionário parece considerá-lo um assunto de importância. Mais importante é que este bom pastor leva as almas polo bom caminho o dia das eleições, polo que deve ser recompensado com o cento por um nesta vida, que para os políticos profissionais é eterna.
E é que o Prêmio eterno que recebem aqueles que perseveram na política profissional é uma boa razão para não abandonar nunca o poder. A vereadora de Ponte-Vedra Maria Bienpija, é outra divina pastora que também deixou a casa do Pai por não ser bem compreendida. A sua ex-irmã na fé Rocio de Sinde confia em que volte aginha. Entretanto a díscola vereadora continua a receber alto salário, dietas e pluses que são incrementados por formar um grupo novo e uni-pessoal.
A Casa do Pai e as demais Igrejas, que sempre puderam evitar os cismas com o medo às trevas exteriores vêm como o exemplo de Carminha ex-AGE no Parlamento galego se propaga, e o dia da apocalipse se aproxima. Já não são só os profetas quem anunciam a fim do Estado e a política profissional. A própria merda que têm estes pode antecipar o seu fim. Que Deus nos colha confessados.

Língua e política

Muito prezada Esther Garcia del Barrio,

Em primeiro lugar queremos como galegas agradecer imenso a tua
estima polo nosso idioma. É frequente que pessoas como tu que
provêm de fora de Galiza tenham e demostrem mais apreço polo
idioma que as que nasceram aqui.
Como vemos que te encontras em procura activa de emprego
queremos desde o Partido da Terra de Vigo dar-che algumas dicas
para te poupar sofrimento; um sofrimento que não é causado polo
apreço pola cultura nossa e qualquer outra, que só produz
alegria e como bem dizes enriquece, mas por um conceito erróneo
do que é o Estado (espanhol, por suposto), e o convívio dentro
deste.
É frequente em pessoas boas e generosas como tu que as
intenções e os desejos sejam misturados com a realidade.
Lamentamos imenso avisar de que a visão idílica dum Estado em
que todas as culturas e línguas são amadas está longe de ser
real. Nem a Constituição espanhola garante isto, nem tampouco o
fazia o Regime anterior ainda que de palavra o dissesse. Não se
pode amar o que não se conhece. Repara que o actual marco
jurídico não garante nada aos idiomas que não sejam o
castelhano. Apenas “respeito e proteção” que são palavras ocas
que leva o vento. Apesar do que possa parecer muitas etnias
ameríndias gozam de maior respeito e proteção legal e real que
o galego, catalão e euskera.
Repara ademais que o facto de estabelecer um certo compromisso
moral cara às autoridades para que estas “protejam” os idiomas
nativos produz (e mais nestes tempos de crise e austeridade)
uma reação de ressentimento por parte dos cidadãos espanhóis
monolingues, que são a maioria. Esta reação é avivada polo
facto de que em Catalunha e Euskadi os governos autonômicos sim
tomam a sério os seus idiomas.
Portanto, ainda que organizações tão diferentes como La Voz de
Galicia e A Mesa possam tomar a tua causa com simpatia, repara
que ambos estão a esconder as limitações do Estado para
exerceres a tua soberania e liberdade linguistica. La Voz de
Galicia porque aceita o papel subsidiário que tem o galego
dentro do sistema estatal em trocas das imensas subvenções que
recebe; A Mesa porque quer convencer (cada vez com menos
argumentos) à população civil de que governando os seus o
Estado ou a autonomia, tudo estaria arranjado. Por isso, ambos
aceitam e impõem uma ortografia do galego que o apresenta como
subsidiário do castelhano. Uns por uma visão nacionalista
espanhola, outros polo que entendem ser o contrário. Como bem
dizes “el problema es cuando partidos políticos y otra serie de
colectivos los utilizan a modo de arma arrojadiza”.
Aliás, o mundo da empresa no que te esforças por entrar como
empregada não é alheio às utilizações que fazem os partidos
políticos. Ao contrário, desde as grandes corporações impõe-se
uma visão das culturas do Estado em conflito. Ao serem os
partidos políticos parte secundária (um degrau por baixo) dessa
estrutura de poder, utilizam e lançam à sociedade de maneira
vertical. O setor da hotelaria é uma parte muito afetada. Não
sabemos se sabes que a principal cadeia do setor é a que edita
o jornal La Razon. Há hotéis na Galiza que proíbem os seus
empregados utilizar o seu idioma em conversações entre eles…
Olha: há quem acredita que na Espanha a população tem direitos
civis, e descobre que não é assim quando uma policia bate nela
ou a detém sem ordem judicial. Podes tomar o papel de mártir ou
intentar viver com dignidade nessa situação. Toma a tua opção
com liberdade e responsabilidade pessoal. Não esqueças que
agora es nova e corres o perigo de seres usada como carne de
canhão por quem te quer fazer acreditar que o sistema funciona
ou se pode transformar sem paciência e muito trabalho.
Considera também que ainda que na Galiza não tenhamos a nossa
parte do sistema empresarial e económico comprometido com a
nossa cultura, temos duas vantagens importantes: uma é que cada
vez menos gente acredita nesse sistema. Se moraste tempo entre
nós e aprendeste o nosso idioma saberás como reconhecer essas
pessoas: têm apreço polas suas origens rurais e não romperam
com elas, usam disso que chamamos retranca, e muitas cousas
mais… Verás que não são uma minoria, ainda que não estejam
nos jornais todos os dias e mesmo sejam objecto de mofa. Nessas
gentes a esplendorosa árvore da nossa cultura continua a passar
de mão em mão em pequenos pedaços escondidos. Não foi talada.
Dá frutos preciosos e viçosos.
Por último queremos avisar-te, ainda que já o comprovaste, que
o modelo de idioma que aprendeste de galego, misturado e
subsidiário do castelhano, vai situar-te, queiras ou não,
sempre no fio da navalha. Mas se utilizares o galego histórico,
real e internacional, e inclusive não tens reparos em utilizar
a sua denominação internacional (como fazem os que falam
espanhol ou inglês) não só sairás dessa armadilha, mas poderás
ir com a cabeça bem alta e desmascarar melhor a ignorância e
indignidade dos que vivem do sistema e fizeram-te dano.
Um abraço

Neta ligação está a noticia:http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/04/15/cuestion-idiomas/0003_201404G15P15994.htm?utm_source=facebook&utm_medium=referral&utm_campaign=fbgen

O espanholismo: caricatura de si mesmo. Duelo de ganhões.

A imprensa do regime está especializada em tomar meias verdades para desqualificar conceitos ou quadros de referência que se tornam perigosos para este.
O “jornalista” e bom espanhol Roberto Blanco Valdés temeroso duma nova coligação que desaloje o nacionalismo espanhol do poder em lugar de analisar a coerência e viabilidade das propostas políticas, o que faz é desqualifica-las sem analisar, como fez neste “artigo” em La Voz de Galicia:http://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2014/04/02/patriota-gallego-beba-rioja/0003_201404G2P17993.htm
Deveria o Blanco Valdés saber que o conceito de soberania que utiliza o nacionalismo galego é incoerente em si mesmo, pois parte do facto de que a soberania das pessoas deve ser transmitida a um novo Estado, e às suas empresas subvencionadas. Não se trataria portanto de confrontar o seu nacionalismo espanhol ao galego, mas de ver em quê pontos o nacionalismo não responde às necessidades da sociedade actual. Claro que para isso há que ser profissional e honesto.

No que faz respeito à soberania alimentar, como na energética, ou a linguística não se trata de criar novas fronteiras, mas ao contrário, de elimina-las. Que todos e todas tenhamos a capacidade de produzir alimentos, como a propósito vimos fazendo e muito bem na Galiza, em lugar de estar obrigados a comprá-los no hipermecado cada vez com mais impostos encima, menos poder aquisitivo e (se a alguém lhe interessa isto) menos qualidade.
Por se alguém lhe interessou isso da qualidade, seria bom reter a ideia não só para o consumo, mas também para os intercâmbios comerciais. E já que se citou o caso de adegas do Ribeiro, podemos perguntar quantas exportam em mercados de qualidade e quantas o fazem com preços tirados e subvenções da OCM para deixar uns margens ridículos e o lucro às grandes distribuidoras de alimentação.
Tampouco AGE nem os outros partidos nacionalistas estão a responder estas perguntas. Estamos perante un duelo de ganhões que não resolve nem ajuda à verdadeira questão da soberania e o futuro. O 25 de Maio os galegos e galegas devemos demonstrar mais inteligência que tudo isso.