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O Orçamento do concelho de Vigo

Estes são os pontos principais do acordo de governo do PPSOE. Prestem atenção porque será a pauta do futuro governo da Espanha.

1. Eliminação de organismos autônomos. Tudo será gerido polo poder central. A pequena e mínima descentralização funcional que havia desaparecerá. O que queira algo do Zoo da Madroa, que vaia à Torre da Praça do Rei e pague o estacionamento. Isto não significa redução de gasto, pois as funções e os empregos dependerão diretamente de cada concelhalia, ou seja, do Alcaide. (Mais nepotismo?) A excepção é Urbanismo, que já depende diretamente da Alcaidia (lembrem a origem do Venturazo) mas tem um volume tão grande que não se pode integrar numa concelhalia.

2. Pagarão-se os mesmos ou mais impostos, ainda que a vida sobe. O lixo em teoria baixa, mas ainda há que imputar o Sogamazo. Como o Concelho não tem uma dívida demasiado alta, e a que tem está no banco resgatado (polos nossos impostos) pode conceder-nos o privilégio de pagar em cômodos prazos.
A esquerdinha terrível diz que Vigo está cheio de indigentes, e o PPSOE que não é para tanto. Sejamos muitas ou poucas quem não tenhamos nem para pagar os serviços, todos os poli-profis de acordo em que:
a) os indigentes devem ser invisíveis. Após retirar os serviços de atenção do centro para não molestar, agora repartirá-se um cartão bancário para dissimular as esmolas.
b) o reparto de serviços caritativos deve ser centralizado na Torre da Praça do Rei. Nem falar de planos nas paroquias e no rural nos que a gente se dignifique trabalhando e recebendo ali os serviços.
c) polo que faz respeito à gente normal, todos bem: que nos sirvam de todo o que necessitamos (luz, água, saneamento e felicidade) que para isso pagamos impostos a Espanha.
d) portanto a população urbana deve continuar a ser a mesma ou mais, tenha ou não para comer. Que como o crescimento é infinito virão tempos melhores. Seguro que Chema lhe explicou bem a Caballero que Feijoo salvou o naval e Rajoy Espanha.

3. No que faz respeito à água, alguém muito inteligente deveu reparar em que não se pode fornecer e cobrar esse serviço como se fosse um negócio (quanto mais consumas, melhor) dado que a água é um bem escasso. Não é brincadeira: em Vigo temos os mesmos e centralizados (é um negócio, lembram?) serviços de recolhida e distribuição de água que Sevilha. Há dous anos quase há restrições.
Já que uma operação tão difícil como não cobrar o consumo por tramos não a pode fazer um político profissional, pois a sua qualificação é ainda elementar, nem por suposto Aqualia que faria trampa, há que devotar uma parte dos seus impostos para que algum colegui da Faculdade de Económicas, que Caballero lembra com tanto carinho, leve um cacho por fazé-lo.

4. Com efeito, a fé no crescimento infinito vai manter este matrimónio unido per saecula saeculorum. Chema convenceu a Abel de que Espanha irá bem, e Caballero a Figueroa de que Keynes é o mago das finanças. Portanto a meter mais baldosas nas ruas. Como os empregos que isto gere não passarão de quarenta, há que fazer muitos “planos de emprego”. Com a inestimável e nunca bem paga (125.000 euros para começar) ajuda de Pepe Garcia Costas e a sua Câmara de Comércio fará-se um plano de cursinhos para parados aborrecidos com uma dotação de meio milhão de euros para comprar (desculpe: colaborar) com as associações culturais e de vizinhos. Deste modo poderão estar entretidos enquanto o núcleo urbano evita ver-se enfraquecer. Três ou quatro hortas urbanas de dous metros quadrados sempre haverá nalgumas ruas para lembrar que a comida não sai da Torre da Praça do Rei. Isto, junto com os dous milhões devotados a esmolas, foi o ponto quente e onde a esquerdinha se desmarcou do novo matrimónio. Dizem que havia que devotar ainda mais dinheiro aos “planos de emprego” e “ajudas sociais”.

5. Como a água, a energia, o saneamento… tudo é um negócio, também o tem que ser o transporte de pessoas. Claro que se há uma matéria prima cara e escassa é o combustível. Por fim a solução será descentralizar? Não: o governo municipal decidirá com Vitrasa as terminais, percorridos, paradas e expedições. As paróquias e bairros? a dar tabaco.

6. Todo o orçamento, o pacto e o reparto tem a mesma ideia: a cidade como grande negócio administrado por políticos profissionais. Baixo essa premissa, o negócio tem que crescer ainda que o contexto seja não só de decrescimento mas ainda de queda do sistema. Melhor dito: os recursos cada vez mais escassos continuam a se concentrar (só que em menos mãos) seguindo a lei de ouro do capitalismo, com as apostilas do Keynesianismo ou o marxismo que dizem que o Estado deve levar a cabo a concentração para logo repartir.

7. Os verdadeiros recursos de futuro da cidade que estão no seu rural e a sua dispersão, não só ficam esquecidos, mas ainda caminho da demolição. O matrimónio destina uma partida por exemplo aos trâmites jurídicos derivados da expropriação dos montes de Cabral: natureza e moradias serão destruídas contra a vontade dos seus habitantes para maior negócio do sistema político profissional. Não se preocupem. As gentes expulsas poderão ir habitar algum bairro da cidade e receber algo dos subsídios sociais do orçamento. Estamos fazendo uma cidade formosa.