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Samil: Em quê idioma está escrito?

“Los carteles están escritos en gallego, portugués e inglés para que lo entienda el mayor número de turistas posible” afirma o Faro de Vigo duns cartazes que como se pode ver estão em castelhano (grande), galego e inglês (pequeno).
Claro que o Faro entende que o galego é um dialecto do castelhano, polo que os cartazes podem estar principalmente em castelhano e nesta ocasião fazer coincidir com o galego, salvando assim o molesto expediente.
Se considerarmos junto com a opinião científica unânime e o sentido comum que o galego e português são a mesma língua, o nosso idioma está colocado junto às línguas estrangeiras: nós somos turistas nas nossas praias? Ou é que temos que deixar claro aos portugueses que isto é Espanha e eles estão no estrangeiro?
Se o galego (ou português) estivesse numa posição principal, não só informaríamos e receberíamos melhor aos visitantes e nativos. Também dignificaríamos a nossa língua. Evidentemente não foram essas a intenções de quem oficializou o castrapinho há 30 anos, e que o ano que vem receberá o homenagem da RAG.

Nunca más servir a señor que se me pueda morir

Fernando Vazquez levou o nosso eterno inimigo à elite empresarial do negócio. Trabalhou duro e aumentou a clientela que acode ao estádio semanal e incondicionalmente a obter um pouco de felicidade em troca de muitos euros.
Graças a ele a empresa “Deportivo de La Coruña” vai multiplicar por vinte o seu volume de negócio neste ano. Também há quem diz que foi por ele que dita empresa se aproximasse um pouco a elementos identitários galegos, causando o alvoroço de Prolingua com o autocarro do Depor a percorrer as vazias ruas da Corunha o dia da celebração da subida.
Agora se vê que não era essa a linha que os amos queriam, ainda que lhes foi útil num momento determinado, igual que o esforçado trabalho de Fernando Vazquez. Ou foi um mal-entendido, ou que lhe caiu mal ao seu chefe…
O que lhe aconteceu ao bom de Fernando pode acontecer-lhe a qualquer de nós que trabalhe por conta alheia. As possibilidades são maiores quanto maior seja o tamanho da empresa. Se é uma multinacional as possibilidades são todas. Se é uma empresa pequena ou familiar podes confiar mais nos teus chefes, se são boa gente…
Como o modelo do capitalismo que se nos impõe é a eliminação das pequenas empresas e a concentração de capital, recomendamos ser conscientes de que estas injustiças e muitas mais acontecem e acontecerão, para que, se chegasse a ser o teu caso, não leves um trauma ou duvides do sistema. Do sistema não há que duvidar: há que nega-lo e elimina-lo. Ou ao menos lembrar que nem é eterno, nem divino: morrerá, e morrerá antes do que pensamos,

Não se equivoque, Alcaide

Abel Caballero continua o seu teatro. Se antes era Romeu namorado de Julieta-PP apesar dos lustros de inimizade das famílias, agora quer converter-se no personagem que vende a sua alma ao diabo em favor de Vigo.
O clássico da literatura universal entregou a Satanás a sua salvação eterna em trocas de algo que considera superior: o amor da sua namorada. Que salvação e que felicidade pode ter quem não tem o amor da sua vida? A nobreça e humanidade do acto emociona,..
Mas também há quem faz o pauto-do-demo movimentado polo desejo de obter êxito na sua vida terrenal: nos negócios, no poder… Aqui nos vamos aproximando mais ao papel (ou papelão) de Abel Caballero.
Não se equivoque, Alcaide: você não vende a sua alma em trocas de um interesse superior. Você vende Vigo aos satânicos especuladores e depredadores para se manter no poder.
Você acreditou no conto de que a “recuperação” está aí, à volta da esquina enquanto na sua cidade cada vez são mais os que sofrem e ficam sem futuro.
Você acreditou no conto de que Vigo é uma cidade só industrial, e consente na destruição do futuro do nosso rural e da nossa beira-mar.
Você acredita na Grande Epopéia Viguesa, que como a Conquista do Far West está cheia de mitologia e mentiras. Não foi um Vigo empreendedor e trabalhador quem levantou o capitalismo na cidade. Foi uma camarilha privilegiada por Franco e que trocou entre ela favores e financiamento, com o seu amigo Gayoso como diretor de orquestra, e que converteu a nossa cidade numa sucursal do afundido capitalismo espanhol e o abalante capitalismo francês.
Não nos venda Alcaide. Deixe viver a gente que mora na grande parte do território de Vigo. Deixe que continuem as suas vidas. Talvez os necessitemos para lhe dar à cidade um futuro verdadeiramente sustentável.